Então a boa nova que me rende uma crônica nesta semana é a pataquada* a qual somos subordinados quando precisamos de um serviço público como a segurança policial. As reportagens noticiaram o furto duplo de um mesmo carro, no mesmo dia e pelo mesmo artista das margens sociais. 

De manhã, no bairro da Penha, um senhor de classe média trabalhador brasileiro (cá sabemos o respeito que essas pessoas merecem por tamanho o seu heroísmo de sobreviver ao dia-a-dia) abre a porta de sua casa em direção ao seu carrinho. Conforto que, sem sombra de dúvida, deu duro para comprar! Qual era o destino desse personagem? Preparava-se para mais um fatigante dia de trabalho, mas eis que é abordado por uma dessas pessoas, que eu ainda insisto em não entender os motivos de certas escolhas, que teve a magnífica ideia de surrupiar o carro do cidadão. 

Pera lá! Isso hoje em dia é natural! Nós é quem temos que nos proteger e evitar essas situações! Pois eu bem os digo, que não é nada natural. Tornou-se parte da vivência, mas aceitar a isso é no mínimo constrangedor. É como se os mesmos larápios de alguns quinze (para ser camarada) anos atrás, expandissem seus negócios do planalto para as ruas. Como um "shopping popular" a lhes dar lucro. Sabe como é né? Gente da alta rouba por baixo do panos, enquanto a ralé pega os caixotes e faz o escândalo típico. Ah! Esse imenso cortiço em que vivemos todos! 

No entanto, voltemos aos fatos. 


Diante da situação o trabalhador entrega o bem que adquiriu para o indivíduo descaracterizado. Tudo bem! Vamos ligar à polícia! Feito isso rola-se um boletim de ocorrência, protocolo antigo e carimbo de uma certa eficácia, em algumas vezes não aparente. Posso lhes contar algo? Estamos falando de uma dessas "algumas vezes"
Com o B.O articulado na delegacia, o que basta é esperar um pouco às noticias. Ora, mas isso não impede que o cidadão de direito suprimido saia para uma ronda particular em busca de pistas. Eis que ele encontra o carro em um bairro próximo: Brás de Pina. 

- Liga à polícia! 
- Liguei! Agora é só aguardar!

Três horas se passam e... Não! Você não entendeu errado! TRÊS HORAS SE PASSAM E NADA DA POLÍCIA! 
O que acontece em seguida? O mesmo ladrão que roubou-lhe o carro à porta de sua casa, agora, após fazer-se sabe lá o que durante três horas ressurge de repente cumprimentando sua recém-vítima e levando novamente, por bem debaixo do nariz do coitado, aquele carrinho que não era "zero", mas quebrava-lhe um grande galho todos os dias! 
E vendo o carro ser levado,  o homem retornou as ligações às autoridades e ao invés de explicações sobre o atraso e ineficiência foi-se aconselhado a produção de outro boletim de ocorrência, afinal: era um outro roubo.

Oras, mas acalma aí Rayanne! Segura essa sua língua... Ou os dedos! Afinal, o ladrão também é um trabalhador! Ou você acha que é fácil roubar um carro de cara limpa e ainda repetir o ato com a mesma pobre criatura? 
E você também não pode falar nada do serviço competente da polícia! Sabe-se lá se algum imprevisto aconteceu? Talvez a cafeteira da delegacia tenha quebrado durante aquelas três horas! Os coitados ainda não tinham nem tomado seu cafezinho!
Um pouco de humanidade, por favor, garota! 




Até  a próxima. Talvez menos indignada. 


4 Comentários

  1. WOOOOOW!! Adorei esse teor crítico! Ok, foi bem mais que só um "teor", mas isso deixou seu texto mais genial ainda! Amei! Parabéns, Ray!!

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  2. Nhac ^^' Obrigada, obrigada :D Fique a vontade para ler todos que quiser *-* Teor crítico... Você é tão gentil e educada ^~' Mas, foi revolta mesmo u.u HAHAHA'

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  3. MANOLO eu amo isso!!! Já falei e repito: me sinto lendo coletâneas dos meus cronistas favoritos! Você não está apenas discutindo um problema social, e também não está só contando uma história... você está cronicando. Isso é lindo. *-*

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  4. *o* Oh como vocês são lindas :) "cronicar"? Gostei disso! Beijos e obrigada ^^'

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